História

Compromissos pessoais e percepções dos benefícios coletivos

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A compreensão sobre a importância das aves e das fontes de água para a biodiversidade e a saúde do Planeta é a razão maior que levou Carlos e Elisabeth a empreenderem o Observatório Ornitológico Nascentes do Iguaçu.

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Para a formação da Reserva, foram adquiridos 18 imóveis. A delimitação do Observatório Ornitológico evitou a remoção da vegetação e resultou na conservação de área utilizada por mais de 450 espécies de aves, algumas delas ameaçadas de extinção.

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Em julho de 2022, os empreendedores transformaram a área do Observatório Ornitológico em RPPN — reserva particular reconhecida oficialmente como área protegida. Isso perpetuará sua preservação e contribuirá para a conservação da Mata Atlântica e para a disponibilização de água.

Carlos e Elisabeth Soares são proprietários, desde 1993, de uma casa de lazer no Recreio da Serra — um loteamento residencial, conforme se descreve nas páginas seguintes deste website. No início dos anos 2000, começaram a praticar observação de aves (birdwatching) no local. Em busca de espécies mais raras, o casal frequentemente se deslocava para as regiões mais afastadas e bem preservadas do Recreio da Serra, longe do barulho das residências, do trânsito de veículos e de animais domésticos com instintos de caça.


Carlos é formado em Administração de Empresas e frequentou uma parte do curso de Biologia, que o impulsionou a buscar mais conhecimentos sobre a ciência da conservação da natureza, particularmente da avifauna. Tornou-se autodidata, chegando a constituir uma rica biblioteca de história natural, com ênfase em ornitologia, biogeografia e biodiversidade. Elisabeth é engenheira civil de formação e exerceu a profissão por 32 anos nas áreas de projeto e execução de obras. Viveu parte da infância no interior do Paraná, no limite de um remanescente ainda intacto da Mata com Araucárias, o que aguçou desde cedo seu interesse pelas florestas tropicais e múltiplas formas de vida que nelas existem.


Por volta de 2006, preocupados com a crescente expansão imobiliária em regiões mais acessíveis e valorizadas do Recreio da Serra, Carlos e Elisabeth perceberam que os refúgios florestais onde costumavam passarinhar poderiam logo ser substituídos ou impactados na paisagem visual e sonora. As áreas que visitavam em busca de pássaros, ao menos as mais significativas, demandavam proteção para assegurar, de alguma forma, a sua integridade biológica e paisagística. Decidiram então iniciar uma ampla verificação para saber quantos imóveis existiam nas regiões mais conservadas, quem eram os seus proprietários e se haveria possibilidade de  aquisição de um mosaico previamente selecionado.


A partir deste levantamento, Carlos e Elisabeth realizaram buscas em cartórios, cadastros na Prefeitura de Piraquara e em varas de execução fiscal. Fizeram o mapeamento de três regiões distintas no loteamento, elegendo-as como prioritárias para conservação da natureza. Após cuidadosa análise, investiram no planejamento para aquisição de três quadras, na parte sul do Recreio da Serra. Os imóveis escolhidos limitavam-se com pequenas propriedades já consolidadas como casas de lazer e uma significativa área usada para compensação ambiental por uma empresa do município. No seu conjunto, a estratégia pensada pelo casal englobava áreas com relevantes parcelas de vegetação em estágio avançado de conservação e diversas nascentes do rio Iraizinho, tributário do rio Iguaçu.


Em março de 2011, Carlos e Elisabeth iniciaram os processos de aquisição da maior parte dos imóveis selecionados. Demorados e difíceis, muitos demandavam regularização fiscal e outras providências, pacientemente equacionadas. Dez anos se passaram e um mosaico composto por 18 imóveis urbanos foi adquirido, totalizando 129,2 mil m2.


Diante de um patrimônio natural extraordinário, ampliaram o olhar e, em julho de 2022, transformaram a área em Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN), o que viabilizou a incorporação da pesquisa científica e da educação ambiental como atividades a serem desenvolvidas. Os passos seguintes nessa empreitada foram a instalação de benfeitorias e equipamentos, como a canalização da água mineral, a abertura de trilhas interpretativas e a construção de uma torre para observação da vida selvagem e vigilância da área. Posteriormente, associando dois recursos naturais abundantes na área — a avifauna e o manancial de águas —, encontraram o nome ideal para denominar a futura RPPN: Observatório Ornitológico Nascentes do Iguaçu.